sexta-feira, 6 de maio de 2022

Pandemia agravou a endemia chamada obesidade !


Na Europa, quase dois terços dos adultos têm excesso de peso. Ficar em casa piorou o cenário. Lei portuguesa é exemplo positivo para a OMS.

A obesidade e excesso de peso têm dimensão de epidemia nos países da região europeia e só pioraram com a pandemia, revelou esta terça-feira a Organização Mundial de Saúde (OMS).

No Relatório da Obesidade 2022 divulgado esta terça-feira, a OMS alerta que “de forma alarmante, tem havido aumentos consistentes na prevalência do excesso de peso e obesidade na região europeia [que compreende 53 países] e nenhum estado-membro está ao alcance da meta de travar o aumento da obesidade até 2025″.

Quase dois terços dos adultos e 8% das crianças com menos de cinco anos têm excesso de peso, aponta a OMS, salientando que a pandemia de Covid-19 teve um impacto “desfavorável no consumo de alimentos e padrões de atividade física”, com as ordens de confinamento emitidas pelos governos a afetarem “de forma desproporcional as pessoas que vivem com excesso de peso e obesidade”.

Por outro lado, o facto de a obesidade ser um fator de risco para casos mais graves de Covid-19 levou a que as pessoas com este problema se tenham isolado mais em casa, com inúmeras aplicações digitais de entrega de comida à disposição, com acesso fácil a comidas com alto teor de sal, gordura e açúcar, cujo impacto específico ainda está por conhecer.

Entre a população adulta na região europeia, há uma prevalência de 59% de excesso de peso, mais elevada nos homens (63%) do que nas mulheres (54%).

A obesidade atinge 23,3% da população na região europeia, a segunda taxa mais alta do mundo, a seguir à região das Américas.

As medidas tomadas para conter o contágio por Covid-19 fizeram subir os níveis de excesso de peso e obesidade entre crianças e adolescentes, conclui a OMS a partir de dados preliminares, agravando uma situação que já é preocupante: até aos cinco anos, a prevalência de excesso de peso e obesidade é de 9% e dispara para 30% nas idades entre os cinco e os nove anos.

Na adolescência, a prevalência da obesidade desce para 25% mas a OMS regista que entre 1975 e 2016, os números do excesso de peso e da obesidade triplicaram entre os rapazes com idades entre cinco e 19 anos e mais do que duplicaram entre as raparigas com as mesmas idades.

Nos adultos a prevalência da obesidade aumentou 138% entre 1975 e 2016. Só entre 2006 e 2016, o aumento foi de 21%.

Entre as várias consequências para a saúde está o risco aumentado de cancro.

“A obesidade é causa direta provável de pelo menos 200.000 casos de cancro anuais, um número que se prevê que aumente nas próximas décadas”, para além de ser responsável por “1,2 milhões de mortes anuais” na região europeia da OMS.

“Para alguns países da região, prevê-se que a obesidade ultrapasse o fumo como fator de risco principal para cancros evitáveis nas próximas décadas”, refere a OMS, apontando o excesso de peso como causa de pelo menos 13 tipos diferentes de cancro, incluindo cancros da mama, colorretais, dos rins, fígado e ovários.

Recomendações e o exemplo de Portugal

As recomendações da OMS incluem mais impostos sobre alimentos “não saudáveis” e restrições na sua “venda, publicidade e tamanho de porções”, a par de “subsídios para aumentar o consumo de fruta e vegetais”.

Neste âmbito, a OMS destaca Portugal como país que “desde 2019 tem uma lei que restringe a publicidade de bebidas e alimentos ricos em gordura, sal e açúcar, que só podem ser publicitados se estiverem de acordo com os modelos nutricionais portugueses, baseados nos da OMS Europa”.

“Algumas violações da lei foram denunciadas e encaminhadas para o sistema judiciário pela autoridade competente, mas estes processos demonstraram ser complexos e desafiantes para provar”, ressalva a OMS, salientando que para se poder cumprir uma lei destas, é preciso “um sistema de monitorização rigoroso, especialmente com as novas tecnologias e técnicas” do ‘marketing digital’.

Recomenda ainda que “todos os alimentos e bebidas servidos ou vendidos em ambientes públicos contribuam para a promoção de dietas saudáveis” e que se controle “a concentração de estabelecimentos de comida não saudável” na vizinhança de escolas.

Na frente do exercício físico, recomenda que as populações tenham “acesso conveniente e seguro a espaço público aberto e de qualidade”, bem como incentivos como “caminhos pedestres seguros, ciclovias locais e percursos pedonais orientados por adultos para crianças dos estabelecimentos de educação locais”.

Devem ainda existir “serviços para gestão do excesso de peso e obesidade” integrados nos cuidados de saúde universais, defende.

Números em Portugal

De acordo com os dados da OMS, 57,5% da população adulta em Portugal em 2016 tinha excesso de peso. Olhando só para as mulheres, o excesso de peso afetava 52%, enquanto nos homens a prevalência estava em 63,1%.

Das pessoas com excesso de peso, 20,3% eram consideradas obesas, com uma prevalência semelhante para homens e mulheres.

Ainda em Portugal, em números atualizados em 2020, 8,5% das crianças com menos de cinco anos têm excesso de peso, no que se incluem os casos de obesidade.

Para a faixa entre os cinco e os nove anos, dados de 2016 indicavam uma prevalência de excesso de peso de 37,2% e obesidade nos 15%.

Também em números de 2016, para os jovens com idades entre os 10 e os 19 anos, 31,2% tinham excesso de peso e 8,7% obesidade. A OMS cita também números de 2012 que indicam que mais de 40% dos adolescentes não comiam nem fruta nem vegetais diariamente.

A OMS nota um aumento na percentagem de mulheres com excesso de peso durante a gravidez, apontando Portugal, Espanha, Reino Unido, Irlanda e Hungria como países em que “se estima que mais de 20% das mulheres tenham obesidade quando engravidam”, uma tendência acentuada em mulheres “de estratos socioeconómicos mais baixos”.

https://zap.aeiou.pt/pandemia-obesidade-476812

 

Ucranianos pagam a russos e a ucranianos para mudar de cidade !


Para fugir à guerra, há cidadãos ucranianos que pagam a outros ucranianos, que têm contactos com russos, nos postos de controlo.

A guerra também é sinónimo de negócios paralelos e de outros crimes. E o conflito na Ucrânia não é excepção.

Já partilhamos aqui o alerta da UNICEF, que avisou que as crianças refugiadas ficam em risco de serem vítimas de violência, de exploração sexual e de tráfico humano.

Agora chega mais um relato, desta vez sobre ucranianos que recebem dinheiro para retirar compatriotas da cidade onde viviam.

Esses cidadãos da Ucrânia, que são pagos para ajudar outros ucranianos, aproveitam alguns contactos que têm com russos que estão em postos de controlo de refugiados.

No geral, estes ucranianos que recebem dinheiro são motoristas, que operam nos arredores de Zaporizhzhya, em diversas vilas ou cidades.

A RTP cruzou-se com o caso de Sergey Zaugolnikov, ucraniano que contou o que os seus familiares estão a ver, para poderem sair de Melitopol.

“Desculpe a expressão, mas algumas bestas de Melitopol estão a exigir dinheiro para atravessar as pessoas”, contou Sergey, que mora em Zaporizhzhya.

Marina Kypriyanova, que saiu precisamente de Melitopol, revelou que há compatriotas a receber entre 200 e 250 dólares (aproximadamente entre 190 e 235 euros) para deixar passar outros ucranianos para outras cidades.

Os preços diferem de caso para caso: quem tiver viatura própria paga 95 euros e é guiado numa espécie de caravana.

Outros relatos indicam que, quem chega sozinho ao posto de controlo russo, tenta subornar militares russos com dinheiro, bebidas ou outros bens. E com resultado, porque os ucranianos conseguem atravessar o local e passam a viver numa cidade mais segura.

https://zap.aeiou.pt/ucranianos-pagam-a-russos-e-a-ucranianos-para-mudar-de-cidade-476802

 

terça-feira, 3 de maio de 2022

Arquiteto quer suspender edifícios em pleno ar ! Não é tão impossível como parece !


Acima do nível da rua flutua um recurso inexplorado. Este espaço aéreo — o vazio acima da estrada e entre edifícios — está, por várias razões práticas, por utilizar.

Surpreendentemente, uma proposta de design apoiada pela ciência sugere que este vazio não tem de ficar simplesmente… vazio. Em vez disso, o ar na parte de cima da rua pode ser transformado num local de construção.

O novo projeto, chamado Oversky, propõe uma série de estruturas que seriam capazes de preencher este espaço aéreo não utilizado.

Com base na mesma tecnologia que permite a um zepelim flutuar, estas estruturas combinar-se-iam num conjunto de salas no céu, ligadas a edifícios adjacentes ou outras estruturas fixas, para permitir o acesso, segundo a Fast Company.

Desenvolvido por Andreas Tjeldflaat, arquiteto da Framlab, o projeto é uma tentativa de mostrar como o vazio urbano, dezenas de metros acima da rua, pode ser utilizado.

“A ‘paisagem de nuvens’ formada serve como um novo tipo de espaço público”, esclarece Tjeldflaat.

O arquiteto descreve-o como um sistema de infraestrutura especulativo, baseado em tecnologias comprovadas, incluindo a utilização de células fechadas de fibra de carbono de hélio mais leve que o ar e inerte, permitindo que as construções mantenham uma estrutura rígida e pairem como pequenas aeronaves inflamáveis.

Encaixados como se fossem um jogo de Tetris, estes módulos flutuantes podem atuar como salas individuais, escritórios, ou armazéns no céu.

“Um passadiço suspenso permite a ligação dos aglomerados às fachadas de edifícios adjacentes”, sublinha Tjeldflaat.

Ilustração do projeto Oversky

Mas este conceito não é apenas arte arquitetónica no céu. Pode também ser um novo instrumento na luta urbana contra as alterações climáticas.

Uma questão omnipresente que as cidades de todo o mundo enfrentam é o chamado efeito de ilha de calor urbana. Edifícios densos e ruas pavimentadas absorvem e retêm mais calor do que terrenos não desenvolvidos ou naturais, tornando as cidades mais quentes, e levando ao aumento da utilização de aparelhos de ar condicionado e das emissões que estes produzem.

Os módulos propostos por Oversky criariam microclimas com sombra, que refletiriam a luz solar e a radiação, devolvendo ao céu o que de outra forma seria absorvido pela superfície densa do ambiente construído.

Através do que Tjeldflaat chama engenharia nanofotónica, os módulos apresentariam “uma estrutura de material semelhante a espuma com bolsas de ar em nanoescala”, capazes de irradiar calor de volta para a atmosfera, ao mesmo tempo que arrefeciam o espaço que apanharia a sombra em baixo.

As árvores, claro, proporcionam este tipo de sombra de forma bastante eficaz, mas o Oversky pretende ser ainda maior e mais eficiente.

Os primeiros projetos do conceito de Tjeldflaat mostram a construção a cobrir apenas uma parte do espaço entre edifícios, de modo a não tapar completamente o sol aos peões e habitantes urbanos abaixo.

Recentemente exposto numa exposição sobre arquitetura e alterações climáticas no museu de arte Bildmuseet da Suécia, o projeto sugere uma alternativa às nossas atuais formas — altamente poluentes — de ar condicionado.

Um ar condicionado convencional descarrega uma quantidade significativa de calor, bem como compostos hidrofluorocarbonos poluentes, “agravando a própria questão que procura mitigar”, alerta Tjeldflaat.

O arquiteto chama a atenção para o facto de grande parte do ar condicionado utilizado nas cidades depender da energia dos combustíveis fósseis — um problema que, provavelmente, se venha a agravar.

“Estima-se que a procura global de arrefecimento requer um triplo aumento da utilização de energia até 2050”, insiste Tjeldflaat.

Oversky é uma solução altamente teórica. Mas Tjeldflaat argumenta que mesmo que estes módulos flutuantes não estejam a chegar rapidamente a um vazio aéreo urbano, os materiais e conceitos por detrás da ideia poderiam ser implementados hoje em dia em mais projetos “down-to-earth” (tradução livre: mais realistas).

“Os painéis dos módulos podem certamente ser utilizados por si próprios como parte de projetos de construção e infraestruturas mais convencionais“, conclui.

https://zap.aeiou.pt/arquiteto-quer-suspender-edificios-em-pleno-ar-nao-e-tao-impossivel-como-parece-474326

 

Fezes, gravação estranha, gargalhadas: O “teatro absurdo” no julgamento de Johnny Depp !


Um dos julgamentos mais mediático dos últimos tempos, entre o actor e Amber Heard. Tem havido momentos, no mínimo, inesperados.

Johnny Depp e Amber Heard continuam a protagonizar um julgamento muito mediático e igualmente insólito. O tribunal na Virginia, Estados Unidos da América, é o palco deste julgamento há três semanas – e ainda vai a meio, no mínimo.

Primeiro, a parte séria: o actor processou a ex-mulher. Exige mais de 47 milhões de euros a Heard porque queixa-se de que um texto escrito pela ex-mulher, há quatro anos, arruinou a sua carreira enquanto actor. Nesse texto, Heard escreveu que era uma “figura pública a representar a violência doméstica”. A atriz reagiu e pede cerca de 84 milhões de euros.

No tal texto, Heard nunca escreve o nome do seu ex-marido mas a cronologia aponta para essa relação. O actor assegura que nunca bateu na actriz.

Ao longo destas três semanas, a defesa de Depp já acusou Heard de apresentar uma “farsa” com o objectivo de baixar a reputação do actor; os advogados de Heard alegam que Depp era um parceiro viciado em drogas e álcool, com tendência para agredir.
 
Na terça-feira, a psicóloga forense Shannon Curry disse aos jurados que acreditava que Amber Heard sofria de dois transtornos: transtorno de personalidade borderline e transtorno de personalidade histriónica.

Johnny Depp disse que também já foi vítima de violência doméstica e mostrou o dedo que, narrou, foi cortado durante uma discussão com a antiga parceira.

Momentos “bizarros”

Não será arriscado afirmar que este julgamento é o mais mediático dos últimos anos, a nível global. E, assim, os momentos caricatos assumem maior mediatismo.

Uma das gravações mais polémicas foi esta: “Conta ao mundo, Johhny. Diz-lhes: eu, Johnny Depp, um homem, sou vítima de violência doméstica, e vê quantas pessoas vão acreditar em ti ou ficar do teu lado”, disse Heard.

Na quinta-feira passada, as fezes entraram no processo. De acordo com um ex-motorista e segurança de Depp, Heard admitiu que defecou na cama do ex-marido. “Brincadeira horrível que correu mal”, terá dito a acusada. Depp sorriu durante este depoimento.

Os risos multiplicaram-se no mesmo dia, noutro testemunho. Um guarda-costas do actor contou que ouviu gritos e, quando entrou em casa, viu Depp. O advogado de Heard fez duas perguntas: “Ele estava a urinar?” e “Tirou o pénis?”. A resposta: “Acho que me lembraria se tivesse visto o pénis dele”, respondeu o segurança, no meio de risos de diversas pessoas que estavam na sessão, incluindo Depp.

No dia anterior, foi reproduzido o depoimento (gravado) de Alejandro Romero, antigo porteiro do local onde o casal morava. Romero gravou o testemunho dentro do carro, a fumar e a conduzir enquanto falava. “Depoimento bizarro”, descreveu o advogado da actriz. “Nunca tinha visto isto. Já vi muitas coisas, mas nunca isto”, reagiu a juíza.

Depois, há declarações desmentidas e teorias. Heard terá utilizado maquilhagem para disfarçar agressões – material de maquilhagem que ainda nem estava a ser vendido no momento da alegada agressão. E há um aparente problema: a advogada de Heard é uma fã de…Depp. Já foi fotografada no meio de fãs do actor, numa estreia de um filme.

Cenas que levaram Emily Hill a resumir este julgamento: “É um teatro absurdo”, escreveu, no portal The Spectator, acrescentando: “Todas estas audiências em tribunal têm sido mais engraçadas do que qualquer comédia de lixo que foi publicada ao longo da última década”.

Olhando para o que tem sido apresentado, Emily não acredita que Depp tenha sido violento com a ex-mulher: “A forma como ele é bem-educado e equilibrado ao lidar com os advogados de Heard… Se ele é um homem violento, alguém que lhe entregue o Óscar que tiraram ao Will Smith”.

https://zap.aeiou.pt/teatro-julgamento-depp-476686

 

O “bombardeamento de estímulos” nas redes sociais pode ser suavizado !


Relação com as redes sociais é um problema para muita gente. Mindfulness já mostrou que pode ajudar a afastar as pessoas do vício.

“Somos bombardeados com estímulos”, resume Camille, uma estudante.

O artigo no portal Psychology Today centra-se no vício que é, para muita gente, as redes sociais.

“A relação com as redes sociais é um dos receios partilhados mais frequentemente entre os jovens adultos. E dado que estás a ler isto num ecrã, é provável que te identifiques com este desafio”, começa o artigo do professor Eric B. Loucks.

Nem precisamos de estatísticas ou de inquéritos para sabemos que as redes sociais são um vício para muitas pessoas.
 
E essa relação pode revelar como a pessoa iria lidar com outros vícios: álcool, açúcar e cafeína. Alguns viciados afastam-se totalmente das redes sociais, outros tentam ser mais conscientes em relação à sua utilização. Não há uma resposta igual para todos.

Mas há um problema bem evidente. Camille volta a falar: “Somos bombardeados com estímulos. Também pode sugar o nosso tempo e a nossa energia. Temos de aproveitar o que existe de positivo na internet, nas opções digitais; mas ignorar o ruído e a sua natureza excessiva é um grande desafio para os jovens”.

Outra estudante, Sabrina, partilha outro problema: “Já reparei nos efeitos que as redes sociais e a tecnologia têm na minha vida. A minha geração glorifica mulheres muito muito magras. A tal ponto que deixa de ser saudável”.

“Todas as mulheres que conheço têm distúrbios relacionados com o peso, com a alimentação e com a imagem do seu corpo. O denominado ‘peso ideal’ não é saudável, mas muitas raparigas tomam medidas extremas para atingir esse objectivo”, continuou Sabrina.

Para combater este vício, claro que o passo principal é a pessoa ter a consciência de que está afectada por esta “doença”. E tentar afastar-se, caso o cenário seja preocupante.

E, para ajudar, surge o mindfulness. O conceito, que deriva da meditação budista, pode ser traduzido para português como “atenção plena” – a sua prioridade é recentrar o foco da pessoa, gerir melhor os recursos interiores, viver plenamente cada momento de forma consciente e sem auto-julgamento.

É uma forma de cada pessoa tentar ter uma relação mais saudável com tudo que acontece. Estabelecer um propósito, uma intenção.

Um estudo avaliou os efeitos de uma aplicação de mindfulness. Conjugando com um auto-controlo do tempo gasto em redes sociais, os resultados mostraram que as pessoas ficaram realmente mais longe do smartphone após 10 dias de mindfulness.

https://zap.aeiou.pt/redes-sociais-mindfulness-476665

 

“Momento de loucura” - Deputado Conservador demite-se após ver pornografia no Parlamento !


A demissão de Neil Parish pode representar mais uma derrota para os Conservadores nas eleições antecipadas para o seu lugar e surge mesmo em cima das autárquicas que vão ter lugar esta semana.

Depois de uma polémica sobre um cruzar de pernas ter despoletado um debate nacional sobre o sexismo no Parlamento no Reino Unido, o deputado Conservador Neil Parish tornou-se o foco de num novo escândalo sexual na política britânica.

Parish anunciou a sua demissão no sábado depois de ter admitido que viu pornografia em duas ocasiões no seu telemóvel enquanto estava na Câmara dos Comuns.

A acusação surgiu inicialmente após uma reunião de mulheres do grupo Conservador 2022 em Westminster, com duas mulheres a dizerem que testemunharam um deputado a ver pornografia no plenário e uma outra Ministra a afirmar que também tinha visto o mesmo durante uma reunião de um comité. Inicialmente, não foi divulgado quem era o deputado em questão.

O comité independente que investiga queixas de assédio e má conduta sexual no Parlamento abriu uma investigação. O primeiro-ministro, Boris Johnson, comentou o caso considerando-o “inaceitável“, mas pediu paciência pelo fim da investigação.

Na sexta-feira, o jornal The Telegraph avançou que Neil Parish era o deputado em questão. A sua esposa defendeu-o publicamente, descrevendo a situação como “embaraçosa” e “estúpida”.

Quando confrontado pelos jornalistas, o deputado confessou que abriu algo por engano no Parlamento, mas que estava à espera do resultado da investigação. No entanto, Paris acabou por não resistir à pressão pública e anunciou a demissão no sábado, descrevendo a visualização de pornografia como um “momento de loucura”.

“A situação é que, curiosamente, estava a ver tratores. Fui para outro site que tinha um nome semelhante e vi durante algum tempo, o que não devia ter feito. Mas o meu maior crime é que noutra ocasião, vi outra vez. O que eu fiz foi absolutamente errado. Peço desculpas totalmente”, confessou à BBC.

O deputado explicou que inicialmente ia explicar ao comité o que tinha acontecido, mas que decidiu demitir-se depois de se aperceber da “agitação e danos” que estava a causar à sua família e ao eleitorado.

A deputada Trabalhista Thangam Debbonaire afirmou que Paris tomou a decisão certa ao demitir-se após o seu “comportamento nojento“. “Mas é chocante que os Conservadores tenham permitido que este fiasco se tenha arrastado durante tantos dias. Repetidamente os Conservadores recusam agir, recorrendo a encobrimentos e arrastando a reputação de outros deputados e da Câmara com eles”, criticou.

Esta demissão surgiu apenas alguns dias antes das eleições autárquicas que terão lugar no Reino Unido na quinta-feira, que estão a ser encaradas como um referendo à liderança de Boris Johnson depois da sua imagem ter sido abalada pelo partygate e por outros escândalos.

A saída de Parish abre agora a porta a uma nova eleição antecipada em Tiverton e Honiton, no Devonshire. Um bastião dos Conservadores, a vitória do partido pode estar em risco com a proximidade dos Liberais-Democratas, que também já roubaram um lugar histórico aos Tories em Dezembro, em North Shropshire.

Parish pode ter cometido um crime

De acordo com a Trabalhista Jess Phillips, é ainda possível que Parish tenha cometido um crime ao ver pornografia no Parlamento, citando uma lei presente no Acto de Exibições Indecentes de 1981.

“Se qualquer acto indecente for exibido, a pessoa a fazer a exibição e qualquer pessoa a causá-la ou permiti-la é considerada culpada da ofensa“, lê-se na lei, que prevê uma moldura penal desde uma multa até dois anos de prisão.

Phillips afirma ao Observer que a lei é pouco conhecida e que, por isso, é poucas vezes aplicada e adianta que os Trabalhistas já pediram uma revisão para se perceber se a legislação abrange este caso.

A deputada apela ainda à criação de uma campanha pública de informação sobre o facto da visualização de pornografia em público ser crime. “Já existem bastantes leis destinadas a proteger as mulheres e as meninas na sociedade, mas não são aplicadas. As pessoas não sabem que se podem queixar“, remata.

https://zap.aeiou.pt/autarquicas-conservador-pornografia-476473

 

Aldeias do Laos decoram casas com bombas não detonadas da Guerra do Vietname !


Em várias aldeias do Laos, os habitantes decoram as suas casas com invólucros de bombas não detonadas da Guerra do Vietname.

A Guerra do Vietname foi um conflito entre o Vietname do Norte e o Vietname do Sul, entre 1959 e 1975. O conflito foi motivado por questões ideológicas e contou com a participação do exército norte-americano de 1965 a 1973. Estima-se que tenham morrido entre 1,5 e 3 milhões de pessoas.

A 7 de fevereiro de 1965, a aviação americana iniciou a sua ofensiva de bombardeamentos contínuos contra o Vietname do Norte. Para forçar os comunistas a abandonar a luta, os americanos lançaram 7 milhões de toneladas de bombas — um total de mais de 270 milhões de bombas durante toda a guerra.

“Em média, isso equivale a uma missão de bombardeamento a cada oito minutos, 24 horas por dia, durante nove anos”, disse Sarah Goring, da Mines Advisory Group (MAG).

Ainda hoje, décadas depois, cerca de 30% das bombas lançadas permanecem por detonar na região. Há cerca de 80 milhões de bombas não detonadas em Laos — é o país mais bombardeado per capita da História.

Apesar do perigo que representam, alguns aldeões usam as bombas para construir as suas casas, escreve a Insider. Desde 1964, mais de 50 mil pessoas foram mortas ou feridas por explosivos que detonaram mais tarde.

Em muitas aldeias do Laos, essas bombas e outras relíquias do tempo da guerra tornaram-se elementos decorativos. Tanques de combustível de avião, por exemplo, encontraram uma segunda vida como canoas, destaca o portal.

Dependendo do tamanho, os invólucros das bombas são usados para diferentes propósitos: os mais pequenos servem de canteiros, por exemplo.


Bomba não detonada usada como canteiro.

Os aldeões também usam as bombas não detonadas como sucata. “Elas estavam por toda a parte, por isso decidimos aproveitar ao máximo o que temos”, disse La lok, habitante de Ban Napia, em declarações ao The Guardian.

Parte do perigo destas bombas não detonadas vem do facto de que não há como os aldeões saberem se uma bomba ainda está ativa. Muitos deles arregaçam as mangas e optam por mudá-las de sítio.

“Nós nunca encorajaríamos isso, mas eu consigo entender”, disse Goring. “O que é que você faria? Encontra no meio do seu arrozal que pode atingir no ano que vem porque se esquece exatamente onde está. Por isso, da perspetiva deles, é mais seguro movê-la para algum lugar que não estejam a cultivar”.

https://zap.aeiou.pt/aldeias-laos-decoram-casas-bombas-476239

 

A Rússia está a usar golfinhos para proteger bases navais do mar Negro !


Animais são escolhidos por os sonares mais sofisticados de toda a fauna, sendo-lhes fácil detetar minas e outros objetos potencialmente perigosos.

A Rússia está a usar golfinhos para proteger a entrada de um porto importante do mar Negro, de forma a proteger uma base naval com grande importância para o regime de Vladimir Putin. As evidências foram recolhidas através de fotografias de satélite, observadas por um analista naval e fornecidas ao The Wasington Post.

Nelas é possível ver dois compartimentos com golfinhos na entrada do Porto de Sebastopol, na Crimeira. H. L. Sutton, responsável por fornecer a informação ao Instituto Naval dos Estados Unidos, acrescentou que os compartimentos foram lá colocados em fevereiro, na altura em que a invasão começou.

De acordo com o especialista, os golfinhos podem ser usados para neutralizar os mergulhadores ucranianos que tentassem entrar naquele espaço marítimo para sabotar os navios russos. A técnica não é nova, já que tanto Estados Unidos da América como a Rússia treinaram os animais para este efeito há décadas.

Tal como lembra o Público, desde a década de 1960 que a marinha norte-americana treina golfinhos e leões-marinhos para ajudarem a combater ameaças semelhantes. De acordo com os especialistas, os golfinhos têm os sonares mais sofisticados de toda a fauna, sendo-lhes fácil detetar minas e outros objetos potencialmente perigosos – que muitas vezes escapam aos sonares eletrónicos. 

O programa norte-americano foi conhecido na década de 1990, mas decorreu durante décadas em segredo – o que permitiu manter as operações em segredo e longe das críticas das organizações ambientais. Já a Rússia terá usado a base de Sebastopol para treinar golfinhos para fins militares, nomeadamente colocar explosivos em navios ou procurar minas.

Num e-mail endereçado ao The Washington Post pela Maxar Technologies, empresa que captou as imagens, esta confirma que concorda com a análise feita.

https://zap.aeiou.pt/a-russia-esta-a-usar-golfinhos-para-proteger-bases-navais-do-mar-negro-476202

 

domingo, 1 de maio de 2022

Linguista tenta salvar idioma que é falado por 8 pessoas !


Kawésqar é uma língua indígena com origem incerta. É isolada, não tem classificação e está em risco de extinção.

O kawésqar é uma espécie em vias de extinção. Não, não é um animal. É um idioma utilizado por (muito) poucas pessoas no sul do Chile.

Este idioma é indígena, aglutinante e polissintética – tem expressões e frases que podem ser traduzidas com uma só palavra, no castelhano.

As explicações dadas pelo especialista Oscar Aguilera à BBC reforçam a ligação entre este idioma e Espanha.

O kawésqar era utilizado pelos colonos, num dos territórios ocupados por espanhóis, na “época dos descobrimentos”. Em algumas palavras, houve adaptações do castelhano.
 
Uma das particularidades relacionadas com este idioma é que os seus falantes tinham 32 formas de dizer “aqui”.

Há um factor cultural importante e curioso neste povo: “Se o kawésqar não tem certeza do que vai dizer, não diz. Utiliza sempre o condicional. Culturalmente, eles rejeitam a falta de veracidade, isso é sancionado pelo grupo. A pessoa que mente destaca-se negativamente entre eles”, contou Oscar Aguilera.

A origem do kawésqar é incerta, tal como muitas outras línguas indígenas. É uma língua “isolada”, sem classificação, porque não tem, nem ligação com qualquer família linguística, nem vínculos com qualquer outra língua viva.

É complicado descobrir, comprovar, de onde vêm as palavras, a estrutura e a gramática deste idioma.

A origem da população? Estima-se que tenha surgido nesta zona da Patagónia Ocidental há cerca de 10 mil anos – mas a primeira evidência conhecida só aparece registada no século XVII.

No século XIX terão existido cerca de quatro mil kawésqar, que falavam o seu idioma. Ainda no mesmo século, já à entrada para o século XX, os kawésqar quase desapareceram: 500 pessoas.

Hoje há…oito pessoas a falar kawésqar. Ainda vivem cerca de 250 kawésqar na região de Magallanes, no Chile, mas quase todos só falam castelhano, por necessidade, por causa do seu dia-a-dia. Quatro dos oito falantes são idosos, outros três estão a caminho ou já chegaram aos 60 anos.

Por isso, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) considera que este é um idioma em extinção. E os Governos do Chile pouco ou nada têm feito para manter este idioma.

“O problema é que, em linhas gerais, não é uma língua prática. É melhor aprender espanhol ou estudar inglês”, disse o linguista Aguilera.

Há 50 anos que Oscar Aguilera tem tentado evitar a extinção do kawésqar. Regista o vocabulário, faz gravações, documenta as palavras.

E recentemente passou a contar com uma ajuda ilustre: a parceira do presidente chileno, Irina Karamanos, que quer saber mais sobre o assunto.

Irina considera que os chilenos têm uma má relação com as suas comunidades e com os seus povos indígenas. Por isso, aprender a língua é uma forma de aproximação.

https://zap.aeiou.pt/idioma-8-pessoas-chile-476184

 

Venceu o Euromilhões e o seu vício é dar dinheiro !


Frances Connolly e marido voltam a aparecer nas notícias porque continuam a ajudar os outros, com os seus 129 milhões de euros.

Janeiro de 2019. Frances e Patrick Connolly apostaram e ganharam: foram os vencedores do primeiro jackpot do Euromilhões daquele ano.

Cerca de 129 milhões de euros ganhos pelo casal da Irlanda do Norte, que nem festejou muito na altura.

“Não ficámos muito excitados. Dei um pequeno grito quando descobri que tínhamos a chave vencedora e depois celebramos com uma chávena de chá e com um abraço”, relatou Frances.

O casal na fase dos 50 anos, que está junto há mais de 30, já tinha dito logo em 2019 que a prioridade seria ajudar os seus amigos e a sua família.

Até já havia uma lista que Frances tinha, com cerca de 50 nomes de pessoas que a premiada sabia que queria ajudar com o seu dinheiro.

Disseram e cumpriram.

Em Dezembro do ano seguinte, o casal já havia surgido nas notícias locais porque já tinha cedido mais de metade do dinheiro que ganhou naquele dia.

As ofertas, as ajudas, continuam. Em entrevista à BBC, Frances Connolly explicou que continua a dar dinheiro porque é “viciada” em ajudar os outros.

“Ajudar as outras pessoas dá-te pica e é um vício. Estou viciada nisso agora”, revelou a vencedora do grande prémio.

Frances, que começou a ser voluntária quando ainda era criança, criou entretanto duas fundações de caridade. Além disso, ajuda pessoas em comunidades locais a conseguir emprego, e apoia refugiados e jovens.

Assim, o dinheiro ajudou-a na sua missão e não alterou a sua personalidade: “Se és estúpida antes de ganhares tanto dinheiro, vais continuar a ser estúpida depois. O dinheiro pode é libertar-te, permitir tu seres quem queres ser”.

Frances e Patrick tinham estabelecido um orçamento anual que seria gasto em gestos de altruísmo – mas em 2022 já gastaram o que seria suposto gastar até 2032.

A antiga professora acha que já gastou mais de 70 milhões de euros até agora, em doações ou ofertas.

Acha. Não faz as contas ao pormenor porque o marido poderia ficar preocupado com os números, se os visse.

Tem dinheiro e tem humor. E não tem carros de luxo ou iates.

https://zap.aeiou.pt/venceu-euromilhoes-vicio-dar-dinheiro-476016

 

“Quase me esqueci de como relaxar”: Epidemia de insónias varre a Coreia do Sul !


A cultura obcecada com o trabalho causa tanto stress na Coreia do Sul que grande parte da população sofre de insónias e recorre à medicação para conseguir dormir.

Ji-Eun começou a ter dificuldades para dormir quando a sua jornada de trabalho se tornou tão cansativa que simplesmente não conseguia relaxar.

Em média, trabalhava das 7h às 22h. Mas a jovem de 29 anos, que trabalha com relações públicas, às vezes ficava até 3h da manhã no escritório. O seu chefe chegava até a ligar no meio da noite a pedir que uma tarefa fosse feita na hora.

“Eu quase me esqueci de como relaxar”, explica. E não é um caso isolado. A Coreia do Sul é um dos países com os maiores índices de privação de sono do mundo, com enormes efeitos sobre sua população.

Na Clínica Dream Sleep, no bairro Gangnam, em Seul, Ji-hyeon Lee, psiquiatra especializada no sono, diz que é comum receber pacientes que tomam até 20 comprimidos para dormir diariamente.

“Geralmente leva um tempo para ficarmos com sono, mas os coreanos querem dormir rapidamente, então tomam medicamentos“, conta. O vício em comprimidos para dormir tornou-se uma epidemia nacional. Não há estatísticas oficiais, mas estima-se que o vício atinja 100 mil coreanos.

Sem conseguir dormir, muitos misturam álcool com a medicação – com consequências potencialmente perigosas.

“As pessoas tornam-se sonâmbulas. Vão até ao frigorífico, comem coisas de modo inconsciente, até comida crua”, diz Lee. “Houve casos de acidentes de carro em Seul causados por pacientes sonâmbulos.”

Lee está acostumada a receber pessoas com insónias crónicas que sofrem do que é conhecido como hiperexcitação (condição que activa o cérebro e nos impede de dormir bem). Alguns dos seus pacientes dizem que não dormem mais do que algumas horas por noite há décadas.

“Eles choram, mas ainda têm um fio de esperança (quando vêm à consulta). É uma situação muito triste”, diz a psicóloga.
Excesso de trabalho, stress e privação do sono

A Coreia do Sul é uma das nações com mais privação do sono do mundo. Também tem a maior taxa de suicídio entre os países desenvolvidos, o maior consumo de bebidas destiladas per capita e um grande número de pessoas a tomar antidepressivos.

Existem razões históricas que explicam essas estatísticas. Em apenas algumas décadas, o país passou de um dos mais pobres do mundo para um dos mais tecnologicamente avançados.

Além disso, por meio da sua crescente influência na cultura pop, exerce considerável “soft power” (termo usado nas relações internacionais para descrever a capacidade de influenciar ações ou interesses por meios culturais e ideológicos).

Nações com um histórico semelhante, como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, podem explorar os seus recursos naturais, mas a Coreia não tem essa riqueza oculta. O país transformou-se pela pura dedicação de uma população movida por um nacionalismo coletivo que os impelia a trabalhar mais e mais rápido.

O resultado é que os sul-coreanos estão sobrecarregados, stressados e privados de sono. Agora, toda uma indústria se formou em torno das pessoas incapazes de dormir – e, em 2019, a indústria tinha um valor estimado em 2,5 mil milhões de dólares.
Indústria em crescimento

Na capital Seul, as lojas de departamento são dedicadas a produtos para dormir, desde os lençóis perfeitos até à almofada ideal, enquanto que as farmácias oferecem prateleiras cheias de medicamentos herbais.

E há abordagens tecnológicas contra as insónias. Há cerca de dois anos, Daniel Tudor lançou uma aplicação de meditação – Kokkiri – focada em ajudar os jovens coreanos stressados a dormir.

Embora a Coreia do Sul seja historicamente um país budista, os jovens pensam que a meditação é um passatempo para os mais velhos, não algo que um funcionário de escritório em Seul possa fazer. Daniel diz que teve que reimportar e reembalar a meditação como uma ideia ocidental para que os jovens coreanos a achassem atraente. As instituições mais tradicionais também estão a entrar em ação.

Hyerang Sunim é um monge budista que ajuda a organizar retiros num templo fora de Seul, onde pessoas com privação de sono podem meditar e absorver os ensinamentos budistas.

No passado, esses tipos de mini-pausas eram reservados para aposentados que buscavam ensinamentos e oração. Agora, os participantes tendem a ser coreanos mais jovens em idade de trabalhar. Mas esses

“É claro que há preocupações. Mas acho que os benefícios as superam”, argumenta Hyerang Sunim. “Tradicionalmente, era raro ver jovens virem procurar os ensinamentos budistas. E eles têm agora muita interação com o templo.”
Mudanças fundamentais

Lee Hye-ri, que participou num destes retiros budistas quando a pressão no trabalho se tornou intolerável, diz que aprendeu a assumir a responsabilidade pelo seu stress.

”Tudo começa comigo; todos os meus problemas começam em mim. Foi o que aprendi aqui”, explica a jovem. Mas enquadrar a solução para o stress e a privação de sono como algo a ser tratado a nível individual pode ser problemático.

Aqueles que acreditam que o problema é causado por uma cultura de trabalho irracional e pressões sociais criticaram esta abordagem individualista, dizendo que isso equivale a culpar as vítimas.

Esses críticos dizem que a meditação ou o relaxamento são uma colcha de remendos e que soluções reais só podem surgir com mudanças fundamentais na sociedade. Ji-Eun acabou tão privada de sono e stressada que decidiu deixar o emprego.

Agora, trabalha horas muito mais razoáveis como freelancer e, devido à pandemia, pode trabalhar em casa. Também procurou ajuda profissional na clínica do sono de Lee para controlar as suas insónias.

“Qual é o sentido de trabalhar tanto agora que chegamos ao topo como país?” diz Ji-Eun. “Devemos ser capazes de relaxar.”

https://zap.aeiou.pt/esqueci-relaxar-insonias-coreia-sul-475988

 

Oceanos enfrentam um evento de extinção em massa !!!


Os oceanos da Terra podem estar perto de uma grande extinção, se o aquecimento global continuar a aumentar.

Se a humanidade não tomar medidas e o aquecimento global continuar sem diminuir, a vida nos oceanos da Terra poderá sofrer uma extinção em massa, uma perda de biodiversidade que poderá ultrapassar as grandes extinções anteriores do planeta.

Um novo estudo, publicado na Science a 28 de abril, afirma que a emissão de grandes volumes de gases humanos com efeito de estufa para a atmosfera está a alterar profundamente o sistema climático da Terra.

Estas mudanças sem precedentes estão a colocar muitas espécies em risco de extinção, de acordo com a Interesting Engineering.

Para desvendar a situação, os investigadores Justin Penn e Curtis Deutsch utilizaram um modelo ecofisiológico, que pesou os limites fisiológicos de uma espécie, em relação à temperatura marinha projetada, e às condições de oxigénio.

O objetivo era avaliar a probabilidade de extinção das espécies marinhas, em vários cenários de aquecimento climático.

Penn e Curtis descobriram que se as temperaturas globais continuarem a aumentar ao ritmo atual, é provável que os ecossistemas marinhos em todo o mundo sofram extinções em massa comparáveis ao tamanho e à gravidade da extinção da end-Permian, a famosa “Grande Morte”.

Esta extinção ocorreu há cerca de 250 milhões de anos e dizimou 57% das famílias biológicas, 83% dos géneros, 81% das espécies marinhas e 70% das espécies de vertebrados terrestres.

O consenso científico é de que as razões para a extinção da end-Permian foram as altas temperaturas, a anóxia oceânica, e a os ácidos causados pelos enormes volumes de dióxido de carbono de erupções vulcânicas.

A equipa de investigação também encontrou padrões em risco de extinção futura.

Prevê-se que os oceanos tropicais, por exemplo, percam a maioria das espécies devido às alterações climáticas, com muitas delas a deslocarem-se para latitudes mais elevadas e condições mais adequadas para sobreviver.

Por outro lado, as espécies polares são suscetíveis de se extinguirem, se os seus habitats desaparecerem por completo da Terra.

Para além do aquecimento da temperatura dos oceanos e do esgotamento do oxigénio devido ao clima, há também impactos humanos diretos, como a destruição de habitats, a pesca excessiva e a poluição costeira, que colocam as espécies marinhas em perigo.

Com o ritmo das alterações climáticas catastróficas, o futuro da vida oceânica tal como a conhecemos permanece desconhecido.

Contudo, há esperança, uma vez que o estudo também descobriu que a redução ou inversão das emissões de gases com efeito de estufa pode reduzir as taxas de extinção em até 70%.

Segundo um relatório do IPCC divulgado em abril, a altura é “agora ou nunca“. As emissões globais devem atingir o seu pico até 2025, a fim de cumprir o objetivo do Acordo de Paris de limitar os aumentos de temperatura a 1,5 graus Celsius.

Depois, devem baixar 43% até 2030, em relação aos níveis de 2019. Só então poderá haver esperança para a vida nos oceanos.

https://zap.aeiou.pt/oceanos-enfrentam-um-evento-de-extincao-em-massa-476273

 

Com direito a manuais e materiais, a Apple deixa agora os clientes repararem o seu próprio iPhone !


O serviço abriu na quarta-feira nos Estados Unidos, mas deve chegar à Europa ainda este ano. Os kits incluem manuais e materiais necessários e ainda só existem para alguns modelos de iPhones.

Em vez de enviarem os telemóveis para o arranjo, os americanos que sejam donos de produtos da Apple avariados já vão poder optar pelo serviço de auto-reparação disponibilizado pela empresa a partir desta quarta-feira.

Os clientes aderentes têm direito a manuais e material para os consertos, que podem ser comprados ou alugados. O programa ainda só existe nos Estados Unidos, mas a Apple quer estendê-lo a outros países ainda este ano, escreve o Público. Por enquanto, o serviço está disponível só para os iPhones 12, 13 e SE, mas eventualmente vai abranger outros produtos da marca.

Os kits têm preços variantes. Por exemplo, quem comprar um para trocar a bateria do iPhone 12 terá de desembolsar à volta de 71 dólares, mas há a possibilidade de se ter um desconto caso se devolva a bateria avariada para que esta possa ser reciclada. O sistema de auto-reparação foi anunciado em Novembro do ano passado.

A iniciativa lançada pela Apple chega numa fase em que há cada vez mais movimentos e pressão política para que haja o “direito à reparação” em resposta à obsolescência planeada e ao desperdício ambiental.

Muitas empresas também prejudicavam os consumidores ao deliberadamente fazerem os seus produtos para que sejam difíceis de reparar, obrigando os clientes a ir aos postos específicos da marca, que podia assim cobrar preços mais caros. As leis querem garantir assim o direito do consumidor de poder reparar ou levar os aparelhos a um especialista da sua preferência que possa fazer o conserto.

https://zap.aeiou.pt/apple-clientes-repararem-iphone-475897

 

sexta-feira, 29 de abril de 2022

Os sinais que nos dizem para conduzirmos com prudência provocam acidentes !


Mostrar sinais com avisos sobre as fatalidades na estrada pode distrair os condutores e causar mais acidentes.

De acordo com um novo estudo publicado na Science, os sinais nas auto-estradas que avisam os condutores sobre a mortalidade na estrada e aconselham a condução com cuidado devido ao trânsito ou às condições do piso podem acabar por ser contraproducentes.

Este tipo de sinais não é só mostrado em Portugal e estão presentes em 28 estados nos Estados Unidos.

Os autores analisaram as estatísticas relativas aos acidentes rodoviários no Texas, já que os sinais neste estado mostram os avisos relativos às fatalidades apenas uma semana durante cada mês, o que permite que sejam feitas comparações entre esta e as restantes semanas.

Quando os condutores passam pelos sinais com avisos sobre a mortalidade na estrada, têm uma percentagem 4,5% maior de estarem envolvidos num acidente nos 10 quilómetros seguintes, de acordo com o estudo. Isto pode traduzir-se, em média, em mais 2600 acidentes e 16 mortos nas estradas texanas anualmente.

Comparando os dados sobre os acidentes antes e depois do início da campanha que introduziu estes sinais, os investigadores notaram um impacto negativo imediato devido à distração que estes causavam aos condutores. O efeito equivale a que se circule com uma velocidade entre 4.8 e 8 quilómetros superior.

“Vemos o sinal e pensamos sobre ele, por isso não travamos tão rápido, e estes pequenos erros, 1 em cada 50 vezes, podem causar um acidente. As provas perfeitas seriam alcançadas com um teste aleatório de controlo. Mas acho que realmente temos provas muito, muito convincentes”, revela Jonathan Hall, autor do estudo.

O cientista sublinha que o impacto também depende do número de fatalidades mostrado, já que os números maiores são mais chocantes. No Texas, os valores eram recontados em Fevereiro e a equipa notou uma grande quebra nos acidentes em Fevereiro em comparação com Janeiro, nota a New Scientist.

Hall acrescenta que os autores do estudo escreveram aos responsáveis políticos de todos os estados norte-americanos para os alertarem sobre as conclusões do estudo e a pedirem que experimentem deixar de emitir estas mensagens e fazer as suas próprias comparações. No caso do Texas, o Departamento de Transportes já deixou de passar estes avisos nos sinais.

https://zap.aeiou.pt/sinais-conduzirmos-prudencia-475518

 

Escócia a caminho de ser o primeiro país “renaturalista” !


Reflorestar o território passou a ser a prioridade. 30% das terras públicas podem ser reflorestadas nos próximos oito anos.

Há muitos “desertos ecológicos” na Escócia. Mas esse cenário pode mudar em breve.

A expressão utilizada pela escritora Susan Wright é real. As paisagens verdes, com montanhas bonitas, existem realmente na Escócia. Mas há séculos que o território escocês tem sido desflorestado.

A revista Afar lembra que o abatimento de árvores em larga escala começou ainda no século XVIII. O verde passou a ser ocupado por casas, construções.

No século seguinte, a agricultura também foi motivo para derrubar mais árvores.

Já no século XX, verificou-se que só existia 1% do território total original da Floresta da Caledónia, a maior floresta do país integrado no Reino Unido.

Mas agora é altura de dar a volta à situação.

“Temos o espaço, a riqueza, a experiência e a responsabilidade global de voltarmos à natureza”.

A frase de Richard Bunting, porta-voz da organização sem fins lucrativos Trees for Life (árvores para a vida), resume a intenção de muitos escoceses.

Já desde os anos 60 do século XX que começaram a ser visíveis as tentativas de reflorestação local. Em cerca de 60 anos, mais de 15% da Escócia “natural” foi recuperada.

E a percentagem vai aumentar. Agora há dezenas de projectos, dezenas de instituições empenhadas nesse objectivo.

A Scottish Rewilding Alliance envolve 22 organizações – Trees for Life é uma delas – que querem chegar a um acordo com o Governo local: declarar a Escócia como primeiro “país renaturalista” em todo o mundo.

Em termos práticos, o objectivo é que, nos próximos oito anos, 30% das terras públicas seriam destinadas para reflorestação. Isso passa por recuperar espécies-chave de animais como castores, linces e ostras, ou criar uma zona costeira onde seriam proibidas a drenagem e a pesca de arrasto.

Há um factor psicológico no meio deste processo: tentar educar as pessoas sobre o valor da recuperação da natureza. Fazer com que os escoceses percebam que a natureza pode ajudar na qualidade de vida dos seres humanos – e pode criar empregos.

Para já, no início de 2023, vai ser inaugurado um centro de renaturalização, perto do famoso Loch Ness. Vai haver espaço para visitas, caminhadas, admirar paisagens, plantações, eventos, exposições e para a…educação.

https://zap.aeiou.pt/escocia-primeiro-pais-renaturalista-475756

 

Old Enough está a criar um efeito curioso nos EUA !


Mães e pais adoram o programa japonês, que já é um fenómeno – mas “nunca” haverá um programa do género nos EUA.

Já descrevemos aqui o Old Enough, o programa televisivo japonês que há muito tempo deixou de ser um fenómeno só no Japão. Por causa da Netflix.

Neste programa, há crianças entre dois e seis anos de idade a fazerem recados, quais adultos, sozinhas nas ruas.

Num episódio, por exemplo, uma criança pequena vai sozinha ao supermercado. Os pequenos são “largados” nas ruas para cumprir tarefas sozinhos (embora, obviamente, sejam sempre seguidas pela família e pela produção e haja sempre uma preparação cuidada para cada aventura).

O conceito surgiu já em 1991 mas somente agora atingiu popularidade mundial. E é muito popular nos Estados Unidos da América.

As cenas que a Netflix reproduz têm sido muito comentadas entre pais norte-americanos, que estão “empolgados” com o programa, lê-se no portal Salon.

Como sempre, há uma mistura de críticas, perplexidade e inspiração. Sim, há pais nos EUA que se sentem inspirados por este programa.

Perry Valentine, como pai, está entusiasmado: “O que me surpreendeu e espantou foi a forma como os pais japoneses confiam realmente na comunidade para que os seus filhos possam aprender a realizar sozinhos tarefas simples”.

Há um motivo forte para uma atracção geral nos EUA: é que um programa destes seria impensável no país americano. Por vários motivos.

Um deles é a insegurança que reina em muitas cidades nos EUA, dominadas por episódios de violência e por diversos tipos de crime. Aliás, tem havido conversas, reflexões, sobre o facto de as cidades norte-americanas não serem “amigáveis” para as crianças.

Outro é a rotina centrada no automóvel que reina no país (as próprias estruturas dos EUA acabam por se focar nas pessoas que conduzem e não nas pessoas que andam mais a pé). Estima-se que apenas 10% das crianças vão a pé para a escola.

E outro motivo: as recomendações oficiais são claras. A Academia de Pediatria indica que as crianças até aos 10 anos não devem caminhar sem supervisão.

Pelo contrário, o Japão é visto como um dos países mais seguros do mundo. E basta comparar o número de peões que morrem devido a acidentes rodoviários: no Japão morreram 1.434 pessoas em 2019, o mesmo ano em que, nos EUA, morreram….36 mil peões.

Os pais nos EUA ficaram fascinados com este programa porque mostra “o espectro oposto da paternidade a que estamos habituados”, explicou Devon Kuntzman, especialista em paternidade.

Mas este programa, avisa o artigo, “nunca poderia ser replicado” nos EUA, onde reina a “paternidade de helicóptero” – expressão utilizada par descrever os pais que estão sempre a controlar os filhos.

O “helicóptero” pode criar problemas nas crianças; mas continua a ser o estilo mais popular entre os pais norte-americanos. Há pouca confiança (e percebe-se porquê).

Entretanto, no Reino Unido, já estarão a filmar uma versão própria do Old Enough.

https://zap.aeiou.pt/old-enough-eua-475785

 

Uber admite ter enganado australianos - Vai pagar multa de 19 milhões de dólares !


A empresa alegava que podia ser cobrada uma taxa de cancelamento e inflacionava as estimativas de preços de táxi.

A Uber concordou em pagar uma multa de 26 milhões de dólares australianos devido a condutores que avisavam falsamente que poderia ser cobrada uma taxa de cancelamento aos utilizadores da aplicação, bem como por inflacionar estimativas de viagens de táxi comparáveis.

A Uber B.V., uma subsidiária holandesa da Uber Technologies Inc., com sede em São Francisco, admitiu ter infringido o Direito do Consumidor australiano ao fazer declarações falsas ou enganosas na sua aplicação, revelou a Comissão Australiana da Concorrência e do Consumidor numa declaração.

A primeira infração deveu-se a uma política de cancelamento gratuito, que permite a um cliente cancelar uma reserva sem custos até cinco minutos após um condutor ter aceite a viagem.

Entre pelo menos dezembro de 2017 e setembro de 2021, mais de 2 milhões de clientes australianos que tentaram cancelar dentro desse período de cinco minutos foram avisados: “Poderá ser-lhe cobrada uma pequena taxa, uma vez que o seu motorista já está a caminho”.

A mensagem de cancelamento mudou desde então para: “Não lhe será cobrada uma taxa de cancelamento”, segundo noticia a ABC News.

“Uber admite ter enganado os utilizadores australianos durante vários anos e pode ter levado alguns deles a decidir não cancelar a sua boleia, após receberem o aviso de cancelamento”, admitiu Gina Cass-Gottlieb, presidente da Comissão.

A Uber sublinhou numa declaração que quase todos os utilizadores decidiram cancelar as suas viagens, apesar dos avisos de cancelamento.

A segunda infração dizia respeito às tarifas de táxi estimadas fornecidas pela aplicação aos clientes de Sidney, entre junho de 2018 e agosto de 2020, quando a opção de chamar de táxi foi abandonada.

O algoritmo utilizado para calcular os intervalos tarifários inflacionou as estimativas do táxi. A tarifa real de táxi era quase sempre mais barata do que a estimativa mais baixa da Uber, que não tinha garantido que o algoritmo fosse exato, referiu a comissão.

A Uber pediu desculpa aos utilizadores pela estimativa da tarifa de táxi “ser mais alta do que deveria ser”

A empresa afirmou que cooperou com a comissão e fez alterações à sua plataforma, com base nas preocupações levantadas pelos investigadores.

“Estamos empenhados em elevar continuamente a fasquia — para nós próprios, para a nossa indústria e, mais importante, para as pessoas que utilizam os nossos serviços”, realçou a Uber.

A Uber e a comissão concordaram em pedir conjuntamente ao Tribunal Federal que ordenasse a multa de 19 milhões de dólares (26 milhões de dólares australianos).

A coima máxima que a Uber poderia ter enfrentado é difícil de calcular, porque as penalidades aumentaram acentuadamente durante o período em questão.

https://zap.aeiou.pt/uber-admite-enganar-australianos-vai-pagar-19-milhoes-de-dolares-475723

 

“Musk defende que qualquer Trump deve poder dizer o que lhe apetecer” !


“Pelos vistos, não gosta que alguém ponha ordem no faroeste digital”. Mas a Comissão Europeia está mesmo a tentar colocar ordem.

Elon Musk será o novo dono do Twitter e esse assunto espalha-se pelo mundo.

Em diversos países, diversos espaços de informação ou debate, as questões multiplicam-se: qual será a real intenção do milionário? Como será o Twitter a partir de agora? Haverá reacções de outras plataformas de rede social?

Também já houve reacções dentro da Tesla, empresa dedicada a carros eléctricos que também pertence a Musk: as acções caíram mais de 22% e os investidores temem que a Tesla passe para segundo plano, na lista de prioridades do seu proprietário.

Por cá, as reacções também se multiplicam e, na manhã desta quarta-feira, Francisco Sena Santos começou por dizer que a internet tem sido um “mundo à parte, um faroeste sem lei, sem limites”.

Na rádio Antena 1, o jornalista destacou Donald Trump. O antigo presidente dos Estados Unidos da América utilizou as redes sociais para expor uma “catadupa de aldrabices”; e depois foi castigado nas eleições, quando perdeu para Joe Biden.

Pelo meio, a “atmosfera de ódio” que Trump criou foi fundamental para a invasão ao Capitólio, no início do ano passado.

Sena Santos fala de Donald Trump para fazer a ligação a Elon Musk: “Há uma criatura, Elon Musk, que diz ser um absolutista da liberdade de expressão. Defende que toda a gente deve poder dizer o que lhe apetecer, mesmo que isso que queira dizer seja uma mentira que faça parte de um plano de manipulação, de conspiração”.

“Ou seja”, continuou o cronista, Musk está entre os que defendem que “qualquer Trump deve poder dizer o que lhe apetecer, mesmo que isso seja manipular, espalhar falsidades, distorcer a realidade”.

O multimilionário “parte do facto de ser o homem mais rico do mundo para julgar que esse poder abre portas a todos os caprichos. Conseguiu, em três semanas, dar a volta aos diversos mecanismos de regulação e ampliar o poder que tem, ao comprar a plataforma mais utilizada no jornalismo e na polícia”, descreveu.

Sena Santos salienta que esta compra não é um negócio para ganhar dinheiro porque, segundo o próprio Musk, a prioridade é que o Twitter seja a praça pública, com absoluta liberdade de expressão, sem censuras.

“A questão é que Elon Musk confunde censura com moderação. Pelos vistos, não gosta que alguém ponha ordem no faroeste digital”, criticou Sena Santos, que se centrou depois na Comissão Europeia.

O documento intitulado Digital Services Act é um “arsenal legislativo” para combater os abusos radicais publicados na internet. Pretende que as plataformas eliminem conteúdos ilegais e perigosos, ou por incentivarem ódio, violência e racismo, ou por promoverem outros crimes.

“É um mecanismo de controlo que ainda será testado. Mas há quem já esteja contra, como Musk estará”, analisou Francisco Sena Santos, que também não quer cair no outro extremo, de “uma Rússia que prende a liberdade de expressão”.

SOS Racismo e Amnistia Internacional

A SOS Racismo também reagiu a este negócio e deixou um aviso: esta compra não está relacionada com liberdade de expressão; está relacionada com dinheiro, só.

“Não nos podemos deixar enganar em relação à suposta benignidade e quase altruísmo da sua motivação. Não nos enganemos, não nos está a tentar libertar da máquina da censura. Está a tentar ganhar dinheiro“, declarou a entidade, na CNN Portugal.

A Amnistia Internacional lançou outro alerta: “A última coisa que precisamos é que o Twitter feche os olhos a discursos violentos”.

https://zap.aeiou.pt/musk-trump-475627

 

quarta-feira, 27 de abril de 2022

Meta vai abrir loja física, para mudar a opinião sobre o metaverso !


Meta, a empresa anteriormente conhecida como Facebook, vai abrir a sua primeira loja física a retalho no próximo mês.

A “Meta Store” abre a 9 de maio em Burlingame, na Califórnia, e pretende familiarizar os consumidores com a realidade virtual e o metaverso.

Meta é mais conhecida por ser proprietária da maior plataforma de meios de comunicação social do mundo, mas ultimamente tem vindo a centrar-se na construção de um metaverso,segundo o Gizmodo.

A empresa tem feito esforços para ser associada ao termo do metaverso, descrevendo-o como sendo um ambiente híbrido online, que funde os mundos físico e digital, através de tecnologias emergentes como a realidade aumentada e virtual.

Não está enganado se pensar que se parece muito com o famoso Second Life. Meta é um dos muitos gigantes da tecnologia que aposta em plataformas de realidade virtual, tornando-se o futuro do jogo, interação social e trabalho online.

Até agora, a quantidade de consumidores era relativamente baixa, devido a custos historicamente elevados e hardware volumoso e potencialmente confuso.

Mas a Meta é claramente das primeiras empresas a fazer este avanço, com os seus aclamados fones de ouvido Quest 2, a reclamar uma quota significativa de um mercado em rápido crescimento.

Vale a pena notar aqui que o Quest foi originalmente vendido sob o nome Oculus, sendo a Oculus a empresa de realidade virtual focada principalmente em jogos que a então Facebook comprou em 2014.

No entanto, a Meta procura apelar a uma gama mais vasta de pessoas, para além de jogadores, adotando um estilo acolhedor em madeira na sua loja.

“Depois de as pessoas experimentem a tecnologia, podem ganhar uma melhor apreciação por ela. Se fizemos bem o nosso trabalho, as pessoas devem sair e dizer aos seus amigos: ‘Têm de ir ver a Meta Store‘”, escreveu Martin Gilliard, chefe da Meta Store, num comunicado da empresa.

A loja da Meta espera mudar opiniões, dando aos clientes uma exposição prática das mais recentes tecnologias de realidade virtual e realidade aumentada.

Na loja, encontra-se um ecrã LED de “parede a parede”, que exibe o que quer que esteja a ser mostrado nos fones Quest 2 da Meta.

As demonstrações na loja vão concentrar-se em jogos, e incluirão títulos populares como Beat Saber, GOLF+, Real VR Fishing ou Supernatural.

“A Meta Store vai ajudar as pessoas a fazer essa ligação à forma como os nossos produtos podem ser a porta de entrada para o metaverso no futuro. Não vamos vender o metaverso na nossa loja, mas esperamos que as pessoas entrem e saiam sabendo um pouco mais sobre como os nossos produtos os vão ajudar”, acrescentou ainda Gilliard.

Mark Zuckerberg, CEO da Meta, realçou que a loja daria aos clientes uma “sensação do que está para vir enquanto construímos o metaverso” — que não envolve exclusivamente realidade virtual ou aumentada.

A Meta vai mostrar também o Portal, produtos de captura de vídeo de exposição inteligente, e Ray-Ban Stories, um par de óculos de sol inteligentes semelhantes aos Snap Spectacles, um lançamento para os próximos óculos de realidade aumentada.

Não há qualquer menção a estes produtos que não inclua uma nota de rodapé sobre o mau tratamento de dados pessoais dos utilizadores por parte da Meta.

A montra da Meta deverá mostrar um feedback dos clientes que experimentam estes produtos pessoalmente.

Se as pessoas começarem a aderir ao metaverso, a Meta poderá expandir significativamente a sua pegada.

Segundo o The New York Times, “pessoas com conhecimento do projeto” e documentos da empresa, relataram no ano passado que a empresa de Zuckerberg poderia abrir lojas de retalho em todo o mundo.

https://zap.aeiou.pt/meta-vai-abrir-loja-fisica-para-mudar-a-opiniao-sobre-o-metaverso-475550

 

Programa de “educação patriótica” vai criar a próxima geração de fiéis a Putin !


A Rússia tem um programa de “educação patriótica” montado em várias frentes com o objetivo de criar a próxima geração de fiéis a Vladimir Putin.

À medida que a Rússia muda o foco da sua “operação militar especial” na Ucrânia para a região do Donbass, parece não haver fim à vista para os combates. O número de vítimas de ambos os lados está a aumentar.

Embora a Ucrânia possa convocar os seus cidadãos para ajudar a defender a sua pátria da agressão russa, a capacidade de Moscovo de reunir e manter o apoio a esta guerra entre os russos será crucial para sustentar o seu esforço militar.

O Kremlin considera as crianças e os jovens uma parte vital desse esforço. O governo lançou uma série de campanhas de educação patriótica voltadas para a juventude russa para incentivá-los a considerar a guerra na Ucrânia como uma continuação da Segunda Guerra Mundial e a sentir uma ligação pessoal com os soldados russos que lutam lá.

A propaganda direcionada aos jovens não é novidade na Rússia. Quando os bolcheviques tomaram o poder em 1917, introduziram a educação patriótico-militar para preparar a próxima geração para a guerra. Durante o período de Brezhnev, de 1964 a 1982, o foco das atenções voltou-se para a vitória da União Soviética sobre os nazis no que a Rússia ainda chama de “grande guerra patriótica”.  

Havia uma forte dimensão psicológica na educação patriótico-militar soviética durante a Guerra Fria. Histórias heroicas de auto-sacrifício durante a grande guerra patriótica foram usadas para desenvolver a devoção das crianças à pátria.

Seja através de atividades em grupos de jovens ou em ambientes educacionais mais formais, uma mensagem clara foi entregue aos jovens: eles tinham a responsabilidade de preservar a memória da vitória que os seus pais e avós alcançaram.

Desde o colapso da URSS, a memória da grande guerra patriótica tornou-se ainda mais importante para a educação na Rússia. Os jovens não apenas foram encarregados de preservar a versão da história do Estado, mas também devem estar vigilantes e denunciar os esforços de outros para “falsificar” e “diminuir” o papel histórico da Rússia no mundo.

A memória da grande guerra patriótica também é central para a forma como Moscovo está a justificar a sua guerra na Ucrânia para a sociedade russa. A alegação infundada de que a Rússia foi forçada a intervir para combater o crescente sentimento nazi na Ucrânia agora está a ser incorporada nas mensagens direcionadas aos jovens russos.

Um aspeto desta campanha foi o lançamento da iniciativa “A força está na verdade”. A cerimónia de abertura em Moscovo contou com a presença de alunos de várias regiões da Rússia, incluindo membros do Movimento Nacional do Exército Jovem criado em 2015.

No seu discurso na cerimónia, o ministro da Educação da Rússia, Sergey Kravtsov, disse que uma situação como a da Ucrânia nunca mais vai voltar a acontecer, porque “temos jovens maravilhosos… porque vocês acreditam na Rússia, no nosso país, nos nossos professores, nas nossas vitórias”.

Outra vertente desta campanha é o uso da memória do Holocausto para trazer as atrocidades nazis para a vanguarda da consciência da juventude e fazer associações com a guerra na Ucrânia.

No dia 19 de abril, o Museu da Vitória em Moscovo abriu uma exposição intitulada “Nazismo Comum”. A exposição destaca “as atrocidades dos nacionalistas ucranianos durante a Segunda Guerra Mundial, bem como os crimes em massa e o terror dos neonazis modernos contra os habitantes da Ucrânia em 2014-2022″.

O mesmo dia também foi marcado como o Dia da Ação Unida na Rússia em memória do genocídio do povo soviético que começou na Rússia pelos nazis e seus cúmplices. O evento envolveu concertos, exposições, comícios e apresentações em escolas e universidades em toda a Rússia.
Geração ‘Z’

Nas escolas de toda a Rússia, os professores estão a tentar encontrar formas adequadas à idade de conectar crianças e jovens com os soldados que lutam na Ucrânia.

As crianças mais novas recebem tarefas simples, como desenhar e colorir figuras da fita ‘Z’ ou ficar em formações para fazer a forma dessa letra. A letra tornou-se um símbolo da guerra e tornou-se uma espécie de distintivo para aqueles que a apoiam.

As crianças mais velhas escrevem cartas para soldados que servem na Ucrânia, especialmente soldados que são das suas cidades ou regiões. As escolas estão também a receber carteiras com imagens e detalhes biográficos de soldados ilustres inscritos nelas.

Estes esforços para entregar mensagens cuidadosamente construídas sobre a guerra na Ucrânia para crianças e jovens servem a vários propósitos.

Há benefícios de curto prazo, como encorajar uma atitude positiva em relação ao serviço militar em adolescentes mais velhos que serão elegíveis para o recrutamento num futuro próximo. Dado o número de soldados russos relatados como mortos até agora, o recrutamento continuará a ser uma parte crucial do esforço de guerra.

O trabalho de alcançar os jovens com estas mensagens também torna mais adultos russos cúmplices no apoio à narrativa do Kremlin. Alguns professores podem apoiar genuinamente a guerra, mas para muitos, esta será apenas mais uma maneira de mostrar aos seus chefes que estão a fazer bem o seu trabalho – e talvez mostrar ao estado que são cidadãos leais.

As consequências para aqueles que se recusam podem ser graves: há evidências de alunos a denunciar os seus professores por fazerem comentários desleais.

A longo prazo, a educação patriótica visa estabelecer um sentimento profundo e duradouro de patriotismo, dever e amor ao país na próxima geração de cidadãos russos, juntamente com um grande respeito pelos militares como instituição.

A criação de gerações futuras que podem ser facilmente moldadas para acreditar nas mensagens do Kremlin e cumprir as suas agendas é uma característica importante dos soldados-brinquedo de Putin.

https://zap.aeiou.pt/programa-de-educacao-patriotica-visa-criar-a-proxima-geracao-de-fieis-a-putin-474815

 

A UE está a construir um túnel de 11 mil milhões de dólares que liga a Escandinávia ao Mediterrâneo !


O Corredor Escandinavo-Mediterrâneo será o quinto dos nove eixos prioritários da Rede Transeuropeia de Transportes.

O gigantesco túnel de mais de 4.000 quilómetros tem um preço estimado de 11 mil milhões de dólares. Será o o quinto dos nove eixos prioritários da Rede Transeuropeia de Transportes, um conjunto de redes de transporte concebido para facilitar a comunicação de pessoas e mercadorias em toda a União Europeia (UE).

Segundo o Interesting Engineering, estende-se desde a Finlândia e Suécia, no norte, até à ilha de Malta, no sul, passando pela Dinamarca, Alemanha, zonas industriais do norte de Itália e portos do sul de Itália.

O maior problema a resolver são os Alpes suíços, uma vez que a cordilheira entre Munique e Verona representa um importante ponto de engarrafamento para o corredor.

Programado para ficar operacional em 2028, o túnel ferroviário tem como objetivo aliviar o tráfego, ao mesmo tempo que atinge os objetivos ambientais estabelecidos pela UE, assegurando a transferência modal da estrada para o caminho-de-ferro.
Segundo o canal de Youtube B1M, a linha férrea do Brenner “é a passagem mais baixa pelos Alpes e pode ser utilizada durante todo o ano“. Foi construída em 1867 e, nos anos 70, foi-lhe acrescentada a auto-estrada E45, criando assim uma importante via de circulação de mercadorias do Mar do Norte para o Mediterrâneo e vice-versa.

Atualmente, a passagem do Brenner transporta 40% de todas as mercadorias sobre os Alpes. No entanto, as inclinações acentuadas e o impacto que tem na redução da velocidade dos comboios estão a prejudicar o transporte férreo. Resultado: mais de dois terços das mercadorias viajam por estrada.

Além disso, o mercado de lazer naquela região tornou a área propícia a engarrafamentos, ruído e má qualidade do ar.

Estima-se que este grande projeto de engenharia esteja concluído entre 2026 e 2028. O túnel, que começa em Innsbruck, na Áustria, percorre 55 quilómetros até chegar a Fortezza, em Itália. Uma vez concluído, ligar-se-á aos túneis de desvio de Innsbruck, resultando na mais longa ligação ferroviária subterrânea do mundo, percorrendo um total de 64 quilómetros.

https://zap.aeiou.pt/ue-tunel-escandinavia-ao-mediterraneo-473653

 

Tribo da Califórnia foi erroneamente declarada “extinta” há 100 anos !


Novas descobertas de uma análise de ADN provam que a tribo Muwekma Ohlone, da Califórnia, foi erroneamente declarada extinta há 100 anos.

Antes de os conquistadores espanhóis chegarem, a Califórnia estava repleta com mais de um milhão de nativos americanos. A população indígena entrou em decadência e, na década de 1920, havia menos de 20 mil. Muitas tribos, como a tribo Muwekma Ohlone, foram oficialmente declaradas “extintas”.

O antropólogo Alfred Kroeber declarou o povo Ohlone “extinto no que diz respeito a todos os propósitos práticos”, observando que apenas “alguns indivíduos dispersos sobrevivem”.

No entanto, uma nova análise de ADN mostra que as raízes dos Muwekma Ohlone são muito mais antigas do que se pensava. Especialistas escavaram os restos mortais de 12 pessoas enterradas na região há 2.000 anos e encontraram ligações genéticas com membros modernos da tribo.

Embora apenas 500 Muwekma Ohlone permaneçam vivos hoje em dia, esta descoberta pode finalmente garantir-lhes o reconhecimento federal pelo qual lutam, desta o All That’s Interesting.

Durante décadas, os Muwekma tentaram recuperar o estatuto reconhecido pelo Governo federal, que perderam após terem sido declarados “extintos”.

Especialistas sugeriam que o povo Ohlone migrou para lá de 1.500 a 1.000 anos atrás. Mas, segundo o The New York Times, a tribo há muito alega que a sua presença na região é mais antiga.

O novo estudo, publicado recentemente na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, revela que a ligação dos Muwekma à área da baía da Califórnia remonta a pelo menos 2.000 anos.

“Validação, finalmente”, disse Monica Arellano, vice-presidente da tribo e coautora do estudo. “A isto ajuda todas as informações que divulgamos, anos a compilar e a fazer pesquisas para provar quem somos”.

Já depois de ficarem sem as suas terras, os membros da tribo começaram a solicitar novamente o reconhecimento federal do governo dos Estados Unidos — sem sucesso. Mas este novo estudo pode finalmente inverter a maré das coisas. 
 


Escavações no sítio arqueológico de Síi Túupentak.

Em 2014, com obras iminentes a ameaçar destruir antigas terras tribais, os membros da tribo moderna solicitaram a ajuda da empresa de consultoria Far Western Anthropological Research Group.

“Quando você é um estudante a fazer o seu trabalho, não é comum ter este tipo de ligação direta com as pessoas que são ‘os dados’ com os quais você está a trabalhar”, disse a autora principal do estudo, Alissa Severson. “Temos que ter esse diálogo, onde poderíamos discutir o que estamos a fazer e o que encontramos, e como isso faz sentido com a história deles. Eu senti-me muito sortuda por estar a trabalhar neste projeto”.

https://zap.aeiou.pt/tribo-da-california-foi-erroneamente-declarada-extinta-ha-100-anos-474616

 

Maquinista sofreu corte salarial por atraso de 1 minuto - Só recebeu dinheiro de volta já depois de morto !


Hirofumi Wada sofreu um corte salarial por se ter atrasado um minuto. Já depois de morto, o tribunal deu-lhe razão e devolveu-lhe 40 cêntimos.

Um maquinista japonês sofreu um corte salarial depois de ter provocado um atraso de um minuto na linha. Sentindo-se injustiçado com a decisão, Hirofumi Wada decidiu avançar para tribunal, acusando a empresa de ter cortado injustamente o seu salário.

O tribunal acabou por lhe dar razão, embora a decisão apenas tenhas surgido já semanas depois de o homem ter morrido. Wada vai agora receber 56 ienes — 40 cêntimos — de volta.

Tudo aconteceu em junho de 2020. Wada tinha de conduzir um comboio vazio até outra estação, mas antes de fazê-lo, enganou-se na plataforma e, como tal, saiu da estação um minuto depois do que estava previsto.

A sua empregadora, a West Japan Railway, argumentou que o maquinista não trabalhou durante aquele minuto e reduziu o seu salário, conta a VICE.

O tribunal de Okayama ditou a decisão esta semana, um ano depois de Wada interpor a sua ação judicial. Mas o pior é que a decisão foi tomada já depois de o maquinista de 59 anos falecer.

O tribunal ordenou que a West Japan Railway deveria, assim, devolver os 40 cêntimos que tinha deduzido ao seu trabalhador. Por outro lado, rejeitou a reivindicação adicional de 2,2 milhões de ienes (15.883 euros) em compensação por sofrimento emocional.

Os sindicatos comemoraram a vitória em tribunal e veem a decisão como um passo para melhorar os direitos laborais.

“Ficou muito claro que Wada ainda estava a trabalhar durante aquele minuto controverso”, disse Goto Maekawa, secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores da West Japan Railway, à VICE.

As empresas ferroviárias japonesas orgulham-se da sua pontualidade, embora os direitos do trabalhadores nem sempre sejam os melhores de forma a garantir a chamada pontualidade britânica — ou, neste caso, japonesa.

“É uma maneira de vigiar constantemente os seus funcionários e, se eles cometerem um erro, aplicariam punições bastante severas, como cortes salariais ou demissões, até mesmo fazer você escrever relatórios para dizer que nunca mais cometerá esse erro”, disse Maekawa quanto à punição pelo atraso de um minuto.

https://zap.aeiou.pt/maquinista-corte-salarial-atraso-1-minuto-474602

 

segunda-feira, 25 de abril de 2022

Água potável a partir de ar e luz do sol ? Uma empresa norte-americana já o conseguiu !


Empresa Source Global criou hidropanéis utilizam energia solar para condensar a água potável limpa e sem de poluentes do ar.

A finitude dos recursos hídricos é uma das maiores preocupações dos ambientalistas, que tentam sensibilizar os cidadãos para a importância de poupar água potável. De facto, a crescente escassez de água exacerbada pelas alterações climáticas catastróficas, assim como a promessa de fácil acesso a água limpa e potável soa como um sonho que não está próximo a realidade.

Para ilustrar este cenário, é importante referir que as mudanças constantes nos padrões do ciclo da água e os aumentos drásticos na extração para uso humano estão a tornar mais difícil o acesso a água potável segura. Segundo um relatório da UNICEF e da Organização Mundial de Saúde, uma em cada três pessoas no mundo não tem acesso a água potável segura. As catástrofes naturais podem também destruir ou contaminar o abastecimento de água, tornando as comunidades periféricas mais susceptíveis a doenças como a cólera e a febre tifoide.

A UNICEF também aponta que, todos os dias, mais de 700 crianças com menos de cinco anos morrem de diarreia como consequência do consumo de água inadequada, saneamento e higiene.

Outra das consequências do aumento do stress hídrico origina uma maior competição por água. Isto, por sua vez, pode levar a conflitos. A guerra civil da Síria, em grande medida, tem estado ligada a uma seca severa – a título de exemplo.

Embora as técnicas de condensação da água do ar sejam utilizadas há décadas, a maioria dos condensadores modernos concebidos para produzir grandes quantidades de água precisam de ser ligados à rede eléctrica, substituindo um problema por outro, sobretudo de considerarmos os territórios mais pobres. Mas, e se houvesse uma solução? E se for possível retirar água do ar sem utilizar carbono adicional ou existir a necessidade de rede elétrica?

Os hidropanéis da Source Global propõem-se a fazer exatamente isso, com a tecnologia a ser mais ciência do que ficção. Na realidade, os hidropanéis utilizam energia solar para condensar a água potável limpa e sem de poluentes do ar. O reservatório de água incorporado também pode ser canalizado para as casas, diretamente para a torneira de água potável. Posteriormente, o sistema começa a mineralizar a água para a tornar mais dura e o seu sabor mais forte, com isto a resultar na alta qualidade prontamente disponível.

Os hidropanos da Source já chegaram a casas de 52 países. Analisando esta conquista, Thomas Borns, gestor de vendas da Source Global, lembrou que “as raparigas e as mulheres passam em média 200 milhões de horas diárias a recolher água”. Foi, precisamente, essa a principal motivação da empresa para chegar a esta invenção. Para Cody Friesen, fundador, este trabalho e obrigação já não faz qualquer sentido aos dias de hoje, daí ter começado a procurar uma forma alternativa de explorar este recurso ilimitado, chegando assim vapor de água no ar.

Tal como nota o Interesting Engineering, o Hydropanel pode ser uma bênção para as pessoas com fraco acesso a água potável, que têm de se deslocar durante horas para a ir buscar e não possuem acesso a uma fonte de energia fiável. Em todo o mundo, o peso desta responsabilidade recai prioritariamente sobre as mulheres, o que as impede de prosseguir a educação, de se dedicarem a atividades recreativas e desportivas, e de saírem da pobreza.

Naturalmente, esta questão global não afeta apenas as nações em desenvolvimento ou as pessoas que vivem nelas. Infraestruturas deficientes, a falta de transparência na origem da água, segurança e custo são também problemas persistentes nas nações desenvolvidas.

“O impacto mais importante dos hidropanéis pôde ser visto apenas em algumas horas da nossa empresa: na Navajo Nation, no norte do Arizona. Ali, apesar das águas subterrâneas terem sido contaminada em grande parte por minas de urânio empobrecido na área, a instalação de hidropanéis fez-se de imediato, diz Borns.

Ou seja, o impacto da tecnologia pode ser sentido até em territórios como os Estados Unidos. “Acho que é importante para as pessoas compreenderem que a água não é um assunto específico do mundo em desenvolvimento. É um problema nos Estados Unidos hoje em dia”, explicou Borns.

https://zap.aeiou.pt/agua-potavel-a-partir-de-ar-e-luz-do-sol-uma-empresa-norte-americana-ja-o-conseguiu-475096

 

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...